Abraço. Dia do abraço. E tem dia?

Eu amo o abraço, amo abraçar e gosto de abraço largo, abraço aberto, de peito e alma, abraço sem medo de encostar, sem medo de tocar, sem medo de revelar. E sou assim desde sempre – que eu me lembre. E acho que o meu pai e a minha avó paterna que me ensinaram o abraço. Minha mãe não era dada. Oferecia o abraço ao choro da filha, mas ela era uma fortaleza.  Eu , não. Sempre fui espontânea. Rio e choro com a mesma intensidade. E abraço. E beijo também. Sim, foi minha avó. Veio-me à mente o seu cabelo, veio o seu sorriso e vieram também os seus braços abertos sempre com amor. Sim, foi ela que me ensinou.

Nude

Dia nude

ao som  de Nando Reis e Skank “Sutilmente”

Estou no Rio para ver se rio mais.
Vim domingo, estou em casa de amiga, me divertindo e sendo feliz como manda o fakebook. Conheci gente interessante e ampliei um pouquinho este círculo de amigos que podem enfim nos apresentar a um namorado novo, quem sabe?!
Afora… andando, como Alena Gump, parente daquele outro, para ver se faz sentido a vida. Período sabático, estou me dando o prazer de me reencontrar em essência depois que tantas coisas se perderam pela vida. Ou de me reinventar.
Não, não estou triste, mas de vez em quando choro um pouquinho. Mais de emoção que de tristeza. Nas entrelinhas, vez ou outra, fico triste também. Nesta medida inexata que é a vida.
Beijo


Alena

P.S.: Aqui estou on tb, que amigo que se preza tem casa wi-fi.

 

Acabei de inventar

Como já falei várias vezes, gosto de rituais. Há lugares que nos causam lembranças dolorosas, que nos angustiam ou nos lembram o que poderia ter sido e não foi. Talvez o Leme da sua vida que se perdeu tal qual sonhara…

Pois bem, três anos depois, o tempo estimado de um luto mesmo, retorno ao local onde muitos sonhos saíram pedalando numa derrocada que me custou um preço altíssimo: família desfeita. Planejo voltar àquela porta de ferro, enorme, ver através das grades que nem fantasmas habitam os corredores frios, quiçá o muquifo de sonhos desfeitos. E descalçar lá as minhas sandálias douradas, os laços que se desfarão, velhos e frágeis, solados corroídos pelo tempo, gastos por tantas pedras  e asperezas. Descalça, caminharei em busca de lugar melhor, de ressignificações e um sapato novo .

Plenitude

Faltava pouco. Mas faltava.

Pensei setecentas vezes em abandonar este blog, deixá-lo vagando no universo líquido da rede para sempre. Talvez como se sua autora tivesse morrido.  E, por ter mesmo consciência desta morte, da morte da eu Alena de antes e não me saber ainda que eu Alena agora eu era… então…

Estes silêncios gigantes que vivenciei me propiciaram hiatos de dias e posts de vazios que ecoaram para quem abria repetidas vezes estas páginas em busca de mim, de minhas histórias; e estes mesmos silêncios me frustravam por ver este blog abandonado também como espelho do abandono de mim e do não reconhecimento de um eu que não mais se sabia. Identidade fractária.

Neste meio tempo de minha história, tempo de lacuna para o  A vida em palavras, os desencaixes se deram por processos de perdas que, somados aos processos anteriores já conhecidos por vocês(morte de meu pai, de minha mãe… avós e também pelo fim de relacionamentos) resultaram numa incompreensão global do todo de mim mesma que só me convidavam ao não falar. Justo eu, a mulher das Letras, a profissional das palavras, a amante da palavra escrita, a pessoa que fala pelos cotovelos e que conversa sem parar. Fui toda silêncios entrecortados por notícias ou breves espaços de histórias não tão interessantes assim.

Eu não sabia se exatamente apenas não convinha dizer. Já não sabia se queria dizer. Tampouco se o que dizia era realmente relevante ( fato com o qual nunca me preocupara antes). Ou mesmo se estava vivendo algo que valesse.

* * *

O tempo passa. Contratempo. Contra tempo.

Tempo arrastado para as dores e insuficiente para digerir todas as coisas.  Assim me dei conta de que foram dois anos de um vazio solidão incríveis para mim.

Dediquei-me à autoanálise retroalimentada por cada descoberta de farrapos de mim. De peças desconexas, restos de uma cidade invisível e um tempo impossível agora.

SENSO EXATO DE NÃO PERTENCIMENTO A COISA ALGUMA. Não pertencer a si mesma. Não pertencer ao outro. Não ter vínculos afetivos, estes estraçalhados. Não pertencer a um emprego. Não pertencer a um lugar – que cidade é esta que eu não reconheço, que eu não amo, mas que no entanto me revela aterradoramente ter sido meu berço? Não pertencer a um grupo de iguais. Não pertencer a uma turma. Vê-las todas perdidas. Objetivos distintos, pessoas agora então estranhas. Não pertencer a um estado de espírito tão meu por tanto tempo, tão meu, tão meu. Não me reconhecer no espelho. Não me reconhecer como mãe. Não me saber como mulher. Não ter irmãs – eco vazio de família. Não ter família. Nenhuma. Nem a que eu tinha, nem a que eu sonhei, nem a que eu desejei. Só. Solidão. Não ter casa para voltar, a minha casa, as minhas coisas. Regressar a um espaço vazio de significados. Sem laços. Mausoléu de um tempo que foi bom, mas que se perdeu na memória e apenas nela resta: casa herdada de família.

* * *

Cada projeto em que me meti focava exatamente o micro, a pequena essência… e a busca consistiu em idas e vindas que objetivavam essencialmente o sabor de redescobrir-me, diferente, outra, melhor e também pior, mas Alena.

* * *

Confesso que acho no fundo bacana. Não sei se é isso que se chama maturidade. Mas desconfio. Esse tal de andar devagar porque não faz agora sentido algum ter pressa. Para quê? Para onde? Por quê?

Assim o tempo passou e eu realmente fui me achando. Pedaços essenciais de mim , mas também outras faces desveladas. E confesso , de novo, que estou gostando muito de tudo isso.

Estou de novo gostando muito de mim.

Viver é afinar o instrumento

Tomei coragem, acordei tarde e resolvi ir à academia, ao VP… Por sorte, academia aberta, fui tirar dinheiro, mas resolvi ir logo no VP.  Tenho que decidir se vou fazer hidro, natação e musculação e spinning ou se vou fazer tudo ao mesmo tempo.  E isso implica custos.

No VP, decisão acertada(!?): paguei nova inscrição e agora tenho 16 semanas para reprogramar minha vida, emagrecer e adquirir de novo os hábitos saudáveis com prazer. Estou entusiasmada.

Depois , vi o mar lindo, lindo! Rumei para a Perini e comprei um brócolis japonês lindo, rúcula, alface americana e nozes, damasco, gorgonzola e pasta de alho, além do irresistível pão com ervas – que me mata e me faz lembrar um certo rapaz. ;D

Satisfeita, voltei para casa  e me brindei com este almoço delicioso:

foto

Coragem grande para emagrecer de vez, metas arrumadas e a certeza de que tudo vai dar certo.

* * * Up date: comprei roupinhas de malhar!!! Viva amiga que empresta cartão e divide em 4 x sem juros (risos)

 Com licença, vou ali, caminhar na praia…

* * *
1h 10 de exercício, exaustão quase!

* * * Fim de dia em companhia agradabilíssima de meus amigos Malu e André.  Bom papo no Mar na Boca.

 

Tudo que eu desejar

Todos os livros nos lugares. Hora das palavras explodirem na blogosfera de novo.

Faz mais de um ano que eu me mudei para esta casa. Foi em outubro de 2009. Coração arrasado.  Separação iminente. Retornar à Ítaca não foi bem o que desejei após 9 anos de Odisséia. E carregava uma filha então e malas de frustrações. Sem dinheiro. Nenhum centavo.  Sem amor.  Arrependida de ter acreditado. Sem emprego. Opção justificada, mas estranha.

Passei exatos DEZOITO  meses sem arrumar minha casa. As coisas estavam nos lugares, mais ou menos, mas sem amor, sem alegria, sem organização. Jogadas. Há tempo tento fazer a arrumação. A cada tentativa, sobravam tantas coisas que nem sabia o que fazer. Aparentemente melhor isto ou aquilo, a verdade para quem tinha olhos de fora era que aquilo não era um lar. Apenas um amontoado de peças desconexas.

Meus móveis não combinavam – a casa era grande e antiga demais. Indesejada. As coisas estavam usadas, velhas, sem viço, quebradas.  Paredes descascando, telhado furado, goteiras. Meus olhos tinham perdido a alegria de ver.

Um ano e seis meses em que eu não fui feliz aqui. Pensei em ir embora várias vezes. Tristeza e depressão. Sentia-me só apesar de Alice.

Montanha de dívidas.

Então, cinco meses após a mudança, tracei um plano: PROJETO MINHA VIDA DE VOLTA. Coloquei uma placa de isopor na parede em cima do computador e escrevi tudo, tudo que eu queria ter de novo e que já tivera um dia. Dei-me prazos. Quatro meses depois, as coisas já tinham mudado de configuração. Estava menos arrasada e DETERMINADA  a ser FELIZ  de novo. As coisas não foram fáceis. Atropelavam-se. Mas eu tinha arranjado dois empregos bons e feito a opção pelo melhor. De volta à ativa e o projeto de ficar um ano com minha filha realizado. Eu queria  a sensação de dedicação à maternidade e alcancei.

Alice não teve festa de aniversário. Embora recebesse dez vezes mais que eu quando ela tinha um ano, o pai não patrocinou o segundo ano dela. O primeiro foi por minha conta. Chateadíssima fiquei. Mas para tudo tem solução. Terá. E também uma lição. Já aprendi.

Troca-troca de babás, até uma ladra passou aqui. Outra achou que tinha o direito de governar minha entrada e saída de casa. Uma delas deslocou o bracinho de Alice.  Houve a que chegou a esfaquear o namorado meses depois de sair daqui. Também uma antes me fez perder o trabalho por causa das faltas: não tinha com quem deixar o bebê e ela nunca chegava nas segundas-feiras. Houve a que fez Alice ter uma injustificada crise de gagueira. Outra era porca. Mais uma sem noções de higiene. Outra preguiçosa. Uma fuxiqueira. Outra mentirosa. Foram mais de 20. Por isso não me arrependo de trocá-las todas. Sempre vem alguém melhor e acredito mesmo que a decisão é certa. Agora começo a ter mais paz. Enfim.

Faltam pregos na casa, preciso trocar as brocas de minha furadeira e empunhá-la de novo. Fizeram-me crer indevidamente que existiam trabalhos que não eram femininos e, por conta de baixa autoestima e solidão, não pendurei os quadros, os espelhos, as fotos, os nichos, as prateleiras. Hoje, em minha lista de compras, escrevo pregos, buchas, brocas e um jogo novo de chaves de fenda. Voltei a quem eu sou, me sinto forte e disposta, feliz. E certa de que a furadeira e o que eu mais quiser poderei segurar.

Os problemas ainda me atropelam, mas eu já sei levantar porque fiz isso muitas e muitas vezes na vida. Perdi meu pai, minha mãe, meu avô, meu tio, minha avó e , por fim, a outra avó que tanto me foi inspiração e exemplo. Morreu também um primo. Parece que para lembrar sempre que a hora é agora, que o tempo é este e que a vida é minha. Fênix renovada a cada queda, a cada morte, tranquila pude escolher uma páscoa diferente para mim este ano.

Optei por mim.

Em três dias, acho que fiz muito do que me faltava há tanto tempo.

Estou alegre. Dou risada. Gargalho de novo. E abraço as pessoas. Ouço música. Brinco com as crianças. Tenho saudades dos meus já idos. Escolhi quem realmente valia para companhia nesta estrada da vida. Amigos que me são caros.  Leio muito . De novo. Reencontrei a poesia. Voltei a escrever. A fotografar. A ter planos. A conhecer pessoas. A reencontrar pessoas. A ser referência de novidade e alegria.

E hoje à noite farei um brinde a esta que eu sou.  Acompanhada de pessoas legais.

Projetos, projetos, projetos

 

Quando me separei, fui ao limbo estacionar um pouco: nem só de céu vive a humanidade e porque existem dores para serem curtidas, processadas, elaboradas, enfim.

Sumi do twitter, sumi do facebook, do orkut nem se fala e este blog foi pseudoalimentado para que não morresse de vez. Morimbundo, o A vida em palavras ficou sem elas, as palavras.

O que mais me incomodava era a censura inapropriada e perseguidora do équissi. Mas chega também um tempo em que os incômodos deixam de sê-lo.

Demorou.

Muitas coisas me feriram, muitos sonhos desfeitos e a incerteza como caminho.  O-que-fazer? Vontade de blogar nunca faltou, mas a agonia de estar sendo vigiada me sufocava. Autocensura foi a minha punição.

* * *

Depois do limbo, sempre vem a lucidez.

Ou a luz do fim do túnel, que não, não era um trem. Era a luz mesmo. Ainda que tênue.

* * *

O primeiro projeto, comecei em junho, quando descobri o lamaçal em que me encontrava: sem emprego, sem amor, sem namorido, sem expectativas, sem sonhos, sem dinheiro, sem projetos. E com uma filha.

* * *

Herdara com minhas irmãs uma casa de família – que é uma casa muito velha e que precisaria ser derrubada e reconstruída para valer a pena. Mas era um teto. Com chuva dentro vez ou outra, mas um teto. Ainda um teto. E próprio, sem aluguel.

* * *

Depressão total. Móveis e bens já desgastados pelos usos e por tantas mudanças, uma filha sorridente e inocente das coisas e dramas do mundo. Meu coração dilacerado.

* * *

Fênix, fênix, fênix. Quase meu mantra.

* * *

Então, pelas mãos da terapia da autoestima, que consiste em fazer um círculo concêntrico com dez outros e um gráfico pizza no qual cada fatia representa uma faceta de sua própria vida, pintei as notas para cada área relevante de minha vida. Descobri o quanto me dediquei às coisas (leia-se pessoas) erradas. Exceto à minha filha.

E parti para o segundo passo: metas. O que eu queria, como eu gostaria de estar e – o mais  importante – quem eu era, sempre fui e queria resgatar. Eis o mote.

* * *

O primeiro projeto nasceu então deste processo de conscientização de todas as coisas.  Foi o PROJETO MINHA VIDA DE VOLTA.

Monitorei por meses cada instância, fazendo auditorias mensais. Sem neuras. Sem pressa. Sem desespero. Eu sabia onde queria chegar.

Fiz um mural em casa, com uma simples lâmina de isopor e saí colocando papéis e palavras de incentivo.

* * *

Cada dia  mais creio na força do desejo, do projeto pessoal e do estabelecimento de metas. Dei-me o prazo de 3 meses para questões menores e outras cruciais. Em menos de um mês e meio estavam todas as metas iniciais cumpridas. Descobri, portanto, o real significado do batido termo FOCAR.

 * * *

Perseverei. Fênix.

* * *

Mais metas, mais sonhos, mais ‘limpezas’ a fazer.

Mangas arregaçadas, tímidos caminhos foram aparecendo.

Quando me dei conta, eu já estava empregada.

Quando me dei conta, a pessoa que eu sempre fui estava incorporada de novo.

* * *

Mas nenhuma tsunami passa sem devastar, sem derrubar, sem sequelas graves. E o estrago fora grande.

Passo-a-passo, um dia depois do outro, um pé de cada vez.

Calma, serenidade, lucidez.

Era a leve certeza de que eu  já estava indo tarde.

* * *

Limpeza. Faxina. E inventário dos prejuízos – enormes.

* * *

Missões desagradáveis a serem cumpridas: estratégias de sobrevivência.

* * *

Muitos quilos a emagrecer. Muitos. 20 é uma necessidade ou uma vontade?

Efeito sanfona instalado. E eu que nunca pensara passar por isso.

* * *

Demorou, mas o ano novo chegou. 2011. Março.

Enfim uma certeza: o PROJETO MINHA VIDA DE VOLTA  chegara ao fim.

* * *

Assim, nasceu, após longo período embrionário (dois meses), o novo projeto: 100 dias para mudar minha vida.

É a hora de consolidar as aprendizagens, superar os traumas e assumir novos espaços de atuação em meu palco-vida.

* * *

Enrolei , enrolei, enrolei. Acabei percebendo que não começaria com tudo arrumado, como festa de 15 anos de gente abastada. O risca-faca era o ponto de partida e cada conquista seria um degrau. Não, eu não estava em carruagem e nem em iate ou jato particular. Quiçá castelos. Os de areia foram desfeitos.

* * *

E o fato é que depois de passar a quarta de cinzas (significativo, não?) arrumando meu guarda-roupa inteirinho, percebi que o projeto havia começado. Data simbólica e fim mais simbólico ainda. Acasos.

* * *

Boa sorte para mim então. São 100 dias para me amar e cuidar de mim. Muito.