Não me fale

Não. Não me fale.

Não me fale no silêncio necessário.

Não me fale nesse amor clandestino.

Não, não me fale.

I need your love.

E isso é tão óbvio…

Um viño me inebria… e essa m…ú…si…ca…

essa música, es-sa músi-ca…

nem toda a inocência do mundo a impediria de tocar em meus ouvidos agora,

sim, agora, agora….

É noite.  Nem está frio. Nem estou me sentindo só.  Nem o tesão me corrompe a  alma.

Oh, sim, sim…  sim… Un-break my heart toca em meu coração e tudo que eu queria era estar agora contigo num espaço que … sei lá… nem precisa existir no tempo nem na história… mas acontece aqui.  Aqui. Neste epaço de sonhar acordada.

Ah, deixa para lá?

Não. Não. definitivamente não.

Eu sou gente.

E menina.

E Alena.

E mulher.

In vino veritas

É um jeito único. Um jeito só meu. É um deslizar das mãos por todo o seu corpo muito lentamente, muito intimidador… muito descobridor, muito próximo – mas no espaço do quase-não-tocar, do passear a milímetros invisíveis de distância da sua pele, cada pedaço das suas costas… chegando ao seu peito… ao ponto que, a esta altura, você já tem os olhos semicerrados, a boca entreaberta e é inevitável que ouça essa música tocar quando cada pelo dos seus braços e toda a sua nuca já estiver arrepiada , sim, sim, apenas por este quase toque  deslizante que acaba em beijo… ou promessa de clandestinidade.

Vinho chileno

Você toma um vinho chileno perdido na sua mini adega… vá lá que não é o seu preferido, você ama muito mais os portugueses, especialmente depois que viu tanta cortiça nos campos da terrinha e mais todas as caves em Vila de Gaia, no Porto… ah, tá… mas é vinho, e “in vino in veritas” sempre.

Parece que o fato de realmente ver o sol nascer da janela do quarto significa algo muito maior. E eu sabia. Sabia que isto estava acontecendo. É um renascer… um resgate, um reviver eu mesma.

E o vinho parece que me conduz a isso, leve, livre e torpemente. Amada. Sei lá pelo quê. Talvez por mim.

E de repente dá uma saudade maluca de Gaia, Vila Nova, daquelas caves gigantes, dá saudade dos rabelos no Porto, dá saudade da blusa vermelha de gola alta que eu usava em Portugal. E ela jaz inerte aqui no armário… sei lá, talvez… Me deu saudade de minha festa de 30 anos…

E de repente eu morro de vontade de noites na varanda discutindo poesia, morro de desejo de spaguettinis, de fotografias com a minha canon…

e um desabafo inebriado…

e uma saudade de Praia do Flamengo em tempo áureo…

e vem a lembrança de um casal em Conde, Bahia, que morava dentro da areia da praia. Ele era Cláudio, ela eu não lembro… sei que eles saíram de Bsb para tentar a vida no longínquo da Bahia. E a pousada que construíram tinha uma concepção completamente gnomos… aquela coisa lindinha meio de sonho sem luxo e com um potencial humano demasiadamente humano… e eu leio agora que minha amiga recém parida está separada… que bom , eu penso, com certeza foi o melhor para ela… e vejo ontem duas surpresas em dois blogs sobre mim… e fico feliz… e as canções de Chico ecoam agora em minha casa porque o meu projeto de gente dorme e me deixa enfim blogar… e ela está embalada por nós, pelo que é nosso … por Chico… e dorme mesmo um anjo… e assim eu reconstruo o que chamo de FELICIDADE… e ela existe. Está em mim e pode estar em você se permitir.

Beba um vinho. Porque eu vou dormir com Nietzche. Ou com o travesseiro. (os)

E eu amanhã queira acordar em São Paulo, juro. Ou em Lisboa.

Mas vou ter a melhor aula do mundo. E isso basta-me . Por enquanto.

O bebê

O bebezinho disse a que veio neste fim de semana.

Depois da jornada insandecida que tive na semana passada com trezentas consultas médicas (de praxe), horas de espera nos consultórios (como gestante vai ter prioridade em obstetras?), provas a corrigir (jááááá!), cronogramas a ajustar, casamento de irmã mais nova em outra cidade, formatura de primo-melhor-amigo, jornada alucinada para fazer material para o ensino médio, busca de agulha no palheiro (leia-se um vestido chique para grávida nesta Salvador provinciana cheia de roupas horríveis, tudo demodê), necessidade de faltar aulas, agendamento de reposições …

… ai, ai, depois disso tudo, meu baby hiperativo igual à mãe chutou sem parar por três dias e eu simplesmente parecia que havia saído de um esmagamento por rolo compressor. Falhei de ontem para hoje: o corpo pifou.

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Ainda não sei se menino ou menina… a requisição de ultra-som está na minha mão… o tempo é que não está dando para ir fazer o exame. Pode?

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Sou bacante, dionisíaca seguidora. Amo o vinho e o prazer que proporciona. Mas nesta fase não etílica da minha vida, estou viciada mesmo em suco de uva. Só não venham me falar do de caixinha que eu acho o fim. Tomo um que vem lá do RS, numa garrafa de vidro, com toda pompa que um suco pode ter, rótulo, fabricante e tal … para compensar, minhas taças continuam indo à mesa.

Enterro nunca é lindo…

… mas o de Pavarotti foi. Que homenagem, que emoção!

A Mani publicou Nessun Dorma de Puccini que é linda!!! A morte dele me fez pensar nas críticas que fizeram ao longo de sua carreira por cantar ao lado de astros populares de diversos países. Muito pelo contrário: acho maravilhoso! Primeiro porque a ópera chega ao grande público mais facilmente; depois porque ninguém em parceria conseguia superar a maravilhosa voz dele. A atitude do tenor foi mais amor à boa música que qualquer pessoa possa imaginar.

Roberto Carlos (juro! – pausa para comentar – com um italiano sofrível) cantou a Ave Maria de Schubert (que justamente considerou um privilégio, um atrevimento e uma concessão do tenor) e  Ó sole mio!

Bryan Adams também cantou O sole mio e (de novo) ver os risinhos e a carinha sempre feliz do grande tenor só me faz pensar que a companhia dos outros artistas parecia mais um tributo de todos os coithados cantando para ele, o meu sol, o sol de todos. Darren Hayes fez o mesmo… e o risinho feliz de Pavarotti me faz conjecturar a cada novo parceiro de palco que ele realmente cantava fácil e plenamente o que os seus ‘colegas’ de ocasião se esganiçavam para conseguir.

Observem que ao final da primeira parte, todos os três (Roberto, Bryan e Darren) fazem a carinha de consegui! meio soberba e aliviada pelo desafio. Então entra o mestre, de cada vez com um tom mais ou menos grave, como se quisesse inicialmente harmonizar com o seu antecessor para depois, sem nem precisar engolir o fôlego, fazer a música estupefaciente!

Viva forever , Pavarotti! Em tua música, em tua arte, em tua carinha de bonachão (ele não parecia um papai noel disfarçado?)…

Barry White  cantou com ele My first, my last, my everything , deu seu show particular, o tecladista também, até que pára estupefacto para ver e ouvir o tenor cantar. Barry harmoniza com Pavarotti um dueto para a história da música! 

Bono cantou, Gloria Stefan cantou, Jon Bon Jovi cantou, muitos cantaram, tiveram o privilégio.  Celine Dion cantou com ele I hate you them I love you.  Andrea Bocelli cantou junto Medley sung e Ave Maria.

Pavarotti recebe em seu palco ninguém menos que Liza Minelli . Cantaram com a maestria peculiar a ambos : New York, New York. Um dos melhores duetos que já ouvi.  James Brown  cantou It´s a man’s world com o seu riso de quem sabe das coisas. Isso é música. Quem sabe, sabe. Para finalizar, a comparação justa e única, ou melhor, os três cisnes que o século passado nos ofereceu Nessun dorma.

Deixa-nos Una furtiva Lagrima.