Diálogos possíveis

msn:

“-  Amiga, preciso de sua ajuda!

–   Estou aqui! Pode dizer!

–   Meu namorado está on line  e eu não quero falar com ele.

–  Não fale.

– Como assim?

– Não fale, não quer falar, não fale. Ah, e ainda pode bloqueá-lo.

– Mas… blá blá blá blá”

Mensários

Inventaram cá por estas bandas a comemoração de cada mês de vida do bebê até ele completar um ano. Exageros à parte, sabemos que a vida pode e deve ser comemorada.

Sempre achei, entretanto, este negócio de mensário de bebê um surto. Talvez invenção consumista para os pais já mostrarem a  sua loucura desde cedo… Falta do que fazer… desperdício de dinheiro…

Bom, pensei um monte de coisas até Alice nascer. Até eu me internar em casa em regime de dedicação exclusiva e inclusiva (minha irmã defende que exclusiva são 40 horas semanais e mãe não o é só por este tempo, mas em tempo integral).

Depois que a bezerrinha nasceu e que eu descobri a caverna em que me meti pelos seus primeiros cinco meses… depois que eu comecei a achar a ida ao pediatra o maior evento e o mais esperado do mês – simplesmente porque saía de casa… depois que eu passei a frequentar o shopping só para passar horas dando de mamar no fraldário por ser um lugar diferente desta bendita santa casa … depois que eu entendi que nem telefone direito as mães podem atender… bom, depois disto tudo, eu compreendi que esta ‘maluquice’ de mensário só poderia ter sido inventada por uma MÃE em desespero absoluto para ver as suas visistas, os seus amigos e ter direito a conversar por alguns minutos com alguém que trouxesse notícias do ‘mundo de lá’ de fora.

Tá. Então todas as mães e seus mensários de filhos estão perdoadas. E não joguem pedra em mim que eu também fiz os de Alice. E como amei ver algumas pessoas convidadas estrategicamente para bater papo comigo.

Meu projeto é até ela completar um ano, fazer uma reunião por mês e a cada mês privilegiar os amigos (em um os x, no outro os y, no próximo os w…)

E não me joguem mais pedras, porque hoje vou salvar a minha amiga que pariu há pouco também, no mensário da doce Laura.

Fenômeno pipoca

Pense no lanche de que eu mais gostava na vida: pipoca.  É.  Esta coisa simples. E nem faço questão de manteiga nem de sal. Juro. Gosto feita na pipoqueira elétrica sem óleo.

Pois bem, depois que eu engravidei, perdi a vontade de comer pipoca. E era uma vontade diária que eu satisfazia sempre. Nem tenha dúvida. Eu não enjoei de pipoca. Eu não passei a não gostar. Eu simplesmente perdi a vontade. E até hoje não a recuperei. Olho, olho para o frasco de milho me esperando e… nada. Nem umazinha. Nada mesmo.

Sabe lá se eu voltarei a sentir vontade. tomara. Porque, além de gostoso, é um excelente lanche diet.

Aquela novela

Desde a semana passada que eu queria comentar (pouco) a tal da favorita: o que foi aquilo de dupla ‘faísca e espoleta’? o que foi aquilo de ver a vilã inteligente e adulta jogando ‘stop’ com a ‘mocinha’? o que foi aquilo da última cena – duas crianças cantando ‘beijinho doce’? o que foi aquilo… ? o que foi aquilo…. o que foi aquilo? Incontáveis ‘o que foi aquilo’?

Há muito eu não via novelas exatamente por constatar que elas depreciam o cérebro dos telespectadores, a capacidade intelectiva. Mas em tempos de puerpério, acabei  acompanhando a trama das oito. De novo, constatei que se perde tempo.

O dia do saco preto

Gente , quando morre, recebe um lugar na terra e vai embalada em um caixão às vezes simples, às vezes pomposo… a depender da situação econômica. Dizem que indigente nem caixão recebe, vai embalado no saco preto para o seu calvário que nem pós morte tem fim.

* * *

Semana passada, quase eu breco o carro a 80 km num ato reflexo em plena avenida Paralela. Voltava da faculdade à noite e, ao passar pelo memorial Luís Eduardo Magalhães, tomei um susto daqueles…

É que em tempos de pai vivo, havia flores novas todos os dias a enfeitar uma estátua que o homenageava e, no local onde se diz que colocaram o tal do coração do homem, havia sempre dois policiais civis a tomar conta para que vândalos ou pombos ou sabe-se lá o que mais não pertubasse a paz da estátua que estava em pé eternamente em berço esplêndido.

Pai morto, outro rei posto. Ou reis. Já dizia Camões : “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. O fato é que os herdeiros andam aqui pela Bahia se digladiando pela dinheirama e a mídia está repleta de escândalos, rachas, achismos, conjecturas e… fatos.

Semana passada, o novo governador parece que atinou… qual era a estátua de Salvador que recebia vigilância 24h diárias? Nem Vinícius, sozinho lá em Itapuã nem Jorge Amado lá no meio da praça do Iguatemi nem o caboclo lá no alto do Campo Grande… tsc tsc tsc

E Wagner suspendeu o uso da polícia como mantenedora da paz da estatueta, devolvendo seus dois homens à paz estatal.

* * *

As flores continuam. Eu não sei quem as paga. Deve ser ainda a fortuna do pai. A grande fortuna do pai. Que eu também não levanto hipótese para saber como se multiplicou tanto. Deve ter sido pelo seu trabalho.

* * *

O caso do saco preto é que me intrigou. Era 22h40 de um dia de semana qualquer e eu voltava distraída da faculdade quando vi uma grande lona preta ou um conjunto de sacos pretos amarrados no monumento. Neste mesmo, no monumento ao filho do homem. A estátua estava toda embalada em um saco preto ou o que parecia sê-lo.

Não entendi, não compreendi, não vi notícia, não vi comentários e, somente 24 horas depois, já estava lá de novo a estátua reluzente , guardada por dois seguranças particulares, de roupas simples e mochila igualmente.

Só pude pensar que no tempo do pai isso jamais aconteceria. E que os tempos mudam (ainda bem). O enigma talvez não seja solucionado . Mas que me intrigou, ah, isso me intrigou. Fiquei estupefacta. Nunca havia visto estátua nenhuma embalada, ainda mais daquele jeito, em plena praça pública por assim dizer.

Up date: Segundo um transeunte, a estátua estaria em reforma e por isso foi embalada.