Dia das mães: pessoas integrais

Já está na hora de acabarmos com esta ideia machista e antiquada de que ser mãe é anular-se. Abrimos mão de muita coisa ao nascermos como mãe: do nosso tempo, de nós também em algumas ocasiões, mas anular-se significa viver SÓ em função do outro, para o outro e pelo outro.
Sinto muito, amo muito minha filha, teria uns 20 bebês se dinheiro tivesse e companheiro que quisesse, mas jamais seria feliz se me anulasse. E, na minha vida, sou prioridade. Tenho que ser, preciso ser. E não é este tipo de (falta de) amor que eu quero que ela conheça. Duvido muito da felicidade dos filhos cujos pais se anulam por eles. Geralmente, crescem mimados e egoístas, incapazes de perceber a alteridade. Olham para o próprio umbigo e sentem-se o centro do universo, batem os pés e assim alcançam o que todos os sacrifícios dos pais podem lhes oferecer. Até que a vida lhes mostra que a sociedade é maior que a sua própria família e os outros existem.
Eu tenho identidade, tenho quereres, desejos e gostos que precedem o nascimento de Alice e eu não abro mão de ser quem eu sou. Desde bebê, quando se formam os tiranos, ela implica com o meu gosto pelo pc e consequente significado de que eu não estou disponível para ela em tempo integral. Ao que eu lhe respondo: “filha, mamãe gostava do computador antes de você nascer, enquanto você estava na barriga e, depois que você nasceu, continua gostando”. E não pense aí, consolando-se, que eu fico sempre trabalhando, não. Às vezes, quero meu tempo para jogar uma partidinha (ou várias) do joguinho mais imbecil que existe ou ficar horas no facebook – mas aquele é meu tempo, meu momento de desopilar, de estar comigo e de limpar a minha cabeça das tensões diárias.
Se vou sair à noite, haja chorinho e dengo dela, minha filhinha, que eu aprendi a contornar com a frase: “mamãe precisa sair porque mamãe quer ser feliz e se divertir, ficar alegre com os amigos dela e, quem sabe, conhecer um ‘tio’ legal para namorar. E uma mãe, feliz, Alice, é sempre uma mãe melhor.” Repito todas as vezes, peço um beijo na bochecha com cuidado para não borrar a maquiagem e ela respira fundo, deixa de chorar e vai ser feliz também com a babá de plantão, brincando e se divertindo como lhe convém.
Sou mãe, mas sou antes menina, mulher, profissional, sou pessoa inteira e já era antes de ela nascer. Ela não me completa porque eu não estava precisando de complemento. Alice é um amor bonito, mas que também me frustra às vezes como é peculiar a todos os amores, porque ela também não é extensão de mim e tem vontade própria, age conforme os seus interesses.
Sim, fico cansada, acho que nunca mais vou dormir todo o sono que sinto, tive depressão pós-parto não diagnosticada na época, às vezes, ela faz malcriação, chora e esperneia e tenta impor suas vontades e me dominar ou ferir. Como todos os filhos. E educar me deixa exausta, não é fácil, embora também não seja impossível ou hercúleo. Faz parte do processo da maternidade.
E é por isso tudo que eu não posso pensar que os ecos de uma sociedade patriarcal ainda estejam a me gritar que eu devo/tenho que/só me resta anular-me. Propagandas bonitinhas, memes fofos com ‘fotinhas’ de bebês e frases cítricas de familiares travestindo imposições machistas? Tô fora. Raciocino. Raciocino e rejeito esta maternidade sinônimo de morte do eu, do abandono de mim mesma. E olhe que, por um período, entrei nesta vibe. Chega.
“Bola pra frente”, “arranja outra”, “você não pode ficar cuidando de criança”, “eu não tenho o que fazer com um filho pequeno”, “isso é papel da mãe”, “a culpa é da mãe” … é o que os pais solteiros ou separados ouvem e repetem por aí enquanto as mães têm (?!) que se contentar com a doutrina da conformidade: “quem mandou parir?”, “agora aguenta”, “não soube escolher…”
Rejeito este papel, não quero para mim e não admito que tentem me enquadrar neste espaço tão pequeno em que eu, mulher, mãe e profissional, não caibo. Alice está sendo educada para buscar esta integridade sua enquanto pessoa e a sua felicidade apesar de tantos tropeços que terá pela vida. Assim como eu fui.IMGP5079

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Feliz da vida! :D

Dia proveitosíssimo!

Uma amiga e um amigo me deram uma ajuda significativa hoje!

* * *

Dormi até quase meio dia(há quanto tempo não faço isso???). Também varei a madrugada vendo dois filmes. Um deles, Alexandria (que merece um post).

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Malhação logo de manhã (das 11h40 às 12h40) . Piscina delícia à tarde e dieta cumprida!

* * *

Café da manhã: 200 ml de iogurte pense leve de ameixa. ( 2)

Almoço: uma cenoura ralada + bastante agrião + 5 fatias de peito de peru light e 1/2 tomate verde(amo!!!)  ( 0+0+2+0)

À tarde, na piscina: Chá de pêssego light mate leão (0) +Refri antarctica diet (0) + Chá mate de pêssego light leão  (0)

(E o miserável do meu vizinho me ofereceu cerveja!) Declinei a proposta 😀

Lanche : 1/2 pão de leite com queijo e peito de peru (2+1)

Jantar: 200 g de filé mignon temperadíssimo no alho, pimenta do reino e cebola. Frito no óleo bem quente, filé alto, bem passado por fora e ao ponto por dentro Uh-lá-lá! Nunca mais tinha comido um tão gostoso. 😀  (12 + 1) (Por que que eu não fotografei? Estava lindo!!!) De consolo, uma foto da net:

5 colheres de farofa e 2 tomates verdes cortados em salada.   (4+4+0)

Total até agora: 28 propontos. Update:  à noite, um pastelzinho mísero de goiaba com 2 propontos (DOIS!!!!). Fechei o 30 do dia. Para arrematar, comi uma cenoura. (0)

Como eu tenho 30 propontos, sobram 2 ainda. Da malhação, posso contar com 5 extras de ontem (vale 24 h o esforço) e mais 5 extra de hoje. Detalhe: não quero gastá-los.

Foi 1 hora de exercício moderado ontem e 1h de exercício moderado hoje. Ontem 60 minutos na bike e hoje 30 min de bike e 30 min de esteira.

Ternura pela cria

Há quem creia que os filhos sejam extensão de si. Eu jamais me iludi. A gravidez foi um espanto para mim e me senti e sinto até hoje estupefacta pelo fato de uma outra pessoa ter estado dentro de mim. Esta é a maravilha da vida. Alguns chamam de milagre, mas eu prefiro não.

Cheguei da escola e resolvi mudar a rotina. Ao invés de subir  e me jogar no sofá, inerte pelo cansaço do dia de trabalho, optei por ir direto ao parquinho  e ver sem avisar como Alice se comporta e a babá também. O fato é que a babá estava sentada no maior bate-papo e, ao me ver chegar, levantou-se e ficou atrás de Alice o tempo todo (como se eu pensasse quando longe que ela faz isso… tsc tsc). Mas a graça foi ver um garotinho de três anos numa moto elétrica e a minha filha parando-o. De longe, eu já sabia o que ela estava tentando fazer. Todo mundo acudindo, pedindo a ele para sair e deixar ela ir. Intercedi e disse, deixem ela, ela sabe o que faz.

Resultado, ela tentando montar e o povo querendo tirá-lo. Eu disse: deixem. Ela segurou na cintura e partiram.  (todo o tempo Alice estava negociando com ele para montar na garupa!)

Então, toda faceira…

Depois ele parou a moto.  As babás acudiram. Desce e sobe, todas atrapalhadas e eu sabendo o que ia rolar. De novo, eu disse: deixem eles…

Resultado: ela o convenceu:

 

Plenitude

Faltava pouco. Mas faltava.

Pensei setecentas vezes em abandonar este blog, deixá-lo vagando no universo líquido da rede para sempre. Talvez como se sua autora tivesse morrido.  E, por ter mesmo consciência desta morte, da morte da eu Alena de antes e não me saber ainda que eu Alena agora eu era… então…

Estes silêncios gigantes que vivenciei me propiciaram hiatos de dias e posts de vazios que ecoaram para quem abria repetidas vezes estas páginas em busca de mim, de minhas histórias; e estes mesmos silêncios me frustravam por ver este blog abandonado também como espelho do abandono de mim e do não reconhecimento de um eu que não mais se sabia. Identidade fractária.

Neste meio tempo de minha história, tempo de lacuna para o  A vida em palavras, os desencaixes se deram por processos de perdas que, somados aos processos anteriores já conhecidos por vocês(morte de meu pai, de minha mãe… avós e também pelo fim de relacionamentos) resultaram numa incompreensão global do todo de mim mesma que só me convidavam ao não falar. Justo eu, a mulher das Letras, a profissional das palavras, a amante da palavra escrita, a pessoa que fala pelos cotovelos e que conversa sem parar. Fui toda silêncios entrecortados por notícias ou breves espaços de histórias não tão interessantes assim.

Eu não sabia se exatamente apenas não convinha dizer. Já não sabia se queria dizer. Tampouco se o que dizia era realmente relevante ( fato com o qual nunca me preocupara antes). Ou mesmo se estava vivendo algo que valesse.

* * *

O tempo passa. Contratempo. Contra tempo.

Tempo arrastado para as dores e insuficiente para digerir todas as coisas.  Assim me dei conta de que foram dois anos de um vazio solidão incríveis para mim.

Dediquei-me à autoanálise retroalimentada por cada descoberta de farrapos de mim. De peças desconexas, restos de uma cidade invisível e um tempo impossível agora.

SENSO EXATO DE NÃO PERTENCIMENTO A COISA ALGUMA. Não pertencer a si mesma. Não pertencer ao outro. Não ter vínculos afetivos, estes estraçalhados. Não pertencer a um emprego. Não pertencer a um lugar – que cidade é esta que eu não reconheço, que eu não amo, mas que no entanto me revela aterradoramente ter sido meu berço? Não pertencer a um grupo de iguais. Não pertencer a uma turma. Vê-las todas perdidas. Objetivos distintos, pessoas agora então estranhas. Não pertencer a um estado de espírito tão meu por tanto tempo, tão meu, tão meu. Não me reconhecer no espelho. Não me reconhecer como mãe. Não me saber como mulher. Não ter irmãs – eco vazio de família. Não ter família. Nenhuma. Nem a que eu tinha, nem a que eu sonhei, nem a que eu desejei. Só. Solidão. Não ter casa para voltar, a minha casa, as minhas coisas. Regressar a um espaço vazio de significados. Sem laços. Mausoléu de um tempo que foi bom, mas que se perdeu na memória e apenas nela resta: casa herdada de família.

* * *

Cada projeto em que me meti focava exatamente o micro, a pequena essência… e a busca consistiu em idas e vindas que objetivavam essencialmente o sabor de redescobrir-me, diferente, outra, melhor e também pior, mas Alena.

* * *

Confesso que acho no fundo bacana. Não sei se é isso que se chama maturidade. Mas desconfio. Esse tal de andar devagar porque não faz agora sentido algum ter pressa. Para quê? Para onde? Por quê?

Assim o tempo passou e eu realmente fui me achando. Pedaços essenciais de mim , mas também outras faces desveladas. E confesso , de novo, que estou gostando muito de tudo isso.

Estou de novo gostando muito de mim.

Tudo que eu desejar

Todos os livros nos lugares. Hora das palavras explodirem na blogosfera de novo.

Faz mais de um ano que eu me mudei para esta casa. Foi em outubro de 2009. Coração arrasado.  Separação iminente. Retornar à Ítaca não foi bem o que desejei após 9 anos de Odisséia. E carregava uma filha então e malas de frustrações. Sem dinheiro. Nenhum centavo.  Sem amor.  Arrependida de ter acreditado. Sem emprego. Opção justificada, mas estranha.

Passei exatos DEZOITO  meses sem arrumar minha casa. As coisas estavam nos lugares, mais ou menos, mas sem amor, sem alegria, sem organização. Jogadas. Há tempo tento fazer a arrumação. A cada tentativa, sobravam tantas coisas que nem sabia o que fazer. Aparentemente melhor isto ou aquilo, a verdade para quem tinha olhos de fora era que aquilo não era um lar. Apenas um amontoado de peças desconexas.

Meus móveis não combinavam – a casa era grande e antiga demais. Indesejada. As coisas estavam usadas, velhas, sem viço, quebradas.  Paredes descascando, telhado furado, goteiras. Meus olhos tinham perdido a alegria de ver.

Um ano e seis meses em que eu não fui feliz aqui. Pensei em ir embora várias vezes. Tristeza e depressão. Sentia-me só apesar de Alice.

Montanha de dívidas.

Então, cinco meses após a mudança, tracei um plano: PROJETO MINHA VIDA DE VOLTA. Coloquei uma placa de isopor na parede em cima do computador e escrevi tudo, tudo que eu queria ter de novo e que já tivera um dia. Dei-me prazos. Quatro meses depois, as coisas já tinham mudado de configuração. Estava menos arrasada e DETERMINADA  a ser FELIZ  de novo. As coisas não foram fáceis. Atropelavam-se. Mas eu tinha arranjado dois empregos bons e feito a opção pelo melhor. De volta à ativa e o projeto de ficar um ano com minha filha realizado. Eu queria  a sensação de dedicação à maternidade e alcancei.

Alice não teve festa de aniversário. Embora recebesse dez vezes mais que eu quando ela tinha um ano, o pai não patrocinou o segundo ano dela. O primeiro foi por minha conta. Chateadíssima fiquei. Mas para tudo tem solução. Terá. E também uma lição. Já aprendi.

Troca-troca de babás, até uma ladra passou aqui. Outra achou que tinha o direito de governar minha entrada e saída de casa. Uma delas deslocou o bracinho de Alice.  Houve a que chegou a esfaquear o namorado meses depois de sair daqui. Também uma antes me fez perder o trabalho por causa das faltas: não tinha com quem deixar o bebê e ela nunca chegava nas segundas-feiras. Houve a que fez Alice ter uma injustificada crise de gagueira. Outra era porca. Mais uma sem noções de higiene. Outra preguiçosa. Uma fuxiqueira. Outra mentirosa. Foram mais de 20. Por isso não me arrependo de trocá-las todas. Sempre vem alguém melhor e acredito mesmo que a decisão é certa. Agora começo a ter mais paz. Enfim.

Faltam pregos na casa, preciso trocar as brocas de minha furadeira e empunhá-la de novo. Fizeram-me crer indevidamente que existiam trabalhos que não eram femininos e, por conta de baixa autoestima e solidão, não pendurei os quadros, os espelhos, as fotos, os nichos, as prateleiras. Hoje, em minha lista de compras, escrevo pregos, buchas, brocas e um jogo novo de chaves de fenda. Voltei a quem eu sou, me sinto forte e disposta, feliz. E certa de que a furadeira e o que eu mais quiser poderei segurar.

Os problemas ainda me atropelam, mas eu já sei levantar porque fiz isso muitas e muitas vezes na vida. Perdi meu pai, minha mãe, meu avô, meu tio, minha avó e , por fim, a outra avó que tanto me foi inspiração e exemplo. Morreu também um primo. Parece que para lembrar sempre que a hora é agora, que o tempo é este e que a vida é minha. Fênix renovada a cada queda, a cada morte, tranquila pude escolher uma páscoa diferente para mim este ano.

Optei por mim.

Em três dias, acho que fiz muito do que me faltava há tanto tempo.

Estou alegre. Dou risada. Gargalho de novo. E abraço as pessoas. Ouço música. Brinco com as crianças. Tenho saudades dos meus já idos. Escolhi quem realmente valia para companhia nesta estrada da vida. Amigos que me são caros.  Leio muito . De novo. Reencontrei a poesia. Voltei a escrever. A fotografar. A ter planos. A conhecer pessoas. A reencontrar pessoas. A ser referência de novidade e alegria.

E hoje à noite farei um brinde a esta que eu sou.  Acompanhada de pessoas legais.

Não me fale

Não. Não me fale.

Não me fale no silêncio necessário.

Não me fale nesse amor clandestino.

Não, não me fale.

I need your love.

E isso é tão óbvio…

Um viño me inebria… e essa m…ú…si…ca…

essa música, es-sa músi-ca…

nem toda a inocência do mundo a impediria de tocar em meus ouvidos agora,

sim, agora, agora….

É noite.  Nem está frio. Nem estou me sentindo só.  Nem o tesão me corrompe a  alma.

Oh, sim, sim…  sim… Un-break my heart toca em meu coração e tudo que eu queria era estar agora contigo num espaço que … sei lá… nem precisa existir no tempo nem na história… mas acontece aqui.  Aqui. Neste epaço de sonhar acordada.

Ah, deixa para lá?

Não. Não. definitivamente não.

Eu sou gente.

E menina.

E Alena.

E mulher.

In vino veritas

É um jeito único. Um jeito só meu. É um deslizar das mãos por todo o seu corpo muito lentamente, muito intimidador… muito descobridor, muito próximo – mas no espaço do quase-não-tocar, do passear a milímetros invisíveis de distância da sua pele, cada pedaço das suas costas… chegando ao seu peito… ao ponto que, a esta altura, você já tem os olhos semicerrados, a boca entreaberta e é inevitável que ouça essa música tocar quando cada pelo dos seus braços e toda a sua nuca já estiver arrepiada , sim, sim, apenas por este quase toque  deslizante que acaba em beijo… ou promessa de clandestinidade.