Sumiço explicado
Fiz mudança. Foram oito dias de pura pauleira. E grávida. Voltei.
Falar de Internet e Soberania é lembrar Octavio Ianni e O príncipe eletrônico.
Mudou o paradigma social: o mundo moderno face às evoluções científicas exige a aproximação entre ciências e humanidades e a linguagem se posiciona como conexão dialógica. Capra defende a teoria da rede, da conexão entre todas as coisas e Morin hoje ressalta pedagogicamente a importância da religação dos saberes. Não há como se pensar em sociedade contemporãnea, em evolução científica, desprezando parâmetros humanos.
Para Ianni, o novo século propõe uma ruptura histórica acompanhada de uma ruptura epistemológica que consiste no reflexo das revoluções culturais na revolução científica, cabendo às ciências sociais, à filosofia e às artes o papel de reinventar novos horizontes, respondendo às inquietações do terceiro milênio.
A globalização, por outro lado, uniformizou, totalizou e desterritorializou o mundo pelo uso dos meios de comunicação. Uma nova linguagem se instaura. As fronteiras foram quebradas e há um novo panorama com o qual o homem, estupefacto, ainda não sabe lidar. As gerações foram um tanto quanto atropeladas pela contemporaneidade e seus avanços.
O príncipe eletrônico, soberano do mundo moderno, representação do ‘quarto poder’ é uma onipresença virtual, representada pela quebra de fronteiras, multiplicação dos espaços e aceleração dos tempos em todas as direções (Einsten: espaço e tempo são tão relativos mesmo!) em todas as atividades humanas possíveis, do lazer às regulamentações legais da sociedade civil. O ciberespaço, às vezes penso, representa a outra dimensão com que o homem sonhou na ficção do passado.
A mídia é hoje o príncipe eletrônico, talvez o grande Leviatã que assombrou Hobbes, não mais o Estado soberano como criação do homem, estado este que perdeu a autonomia estatal face às demandas do mundo globalizado e à subordinação dos países às grandes potências e seus mecanismos de controle da economia mundial e massificação da cultura, criando uma hegemonia de padrões.
O risco desta mídia mundializada é a parcialidade de opinião proporcionadora de um pensamento unificado conforme os interesses das elites que dominam a humanidade. As formas de matar a diversidade são várias: padrões de beleza universais, padrões que falam do melhor do mundo, padrões associados ao modus vivendi do primeiro mundo etc., disseminados pela tv, internet e demais mídias.
Predomina uma nova narrativa na construção da história da humanidade que, inclusive, usa recursos virtuais. A nova linguagem instaura novas possibilidades de construção da história.
O que não sabemos é o quanto ou quando seremos devorados pelo grande leviatã da modernidade. Sucumbiremos ou o ser humano não escapará, mais uma vez, de adaptar-se?
Houve quem pensasse que abandonei o blog… foi não! Só estou parecendo uma louca sem tempo. Estudo, trabalho, faculdade e gravidez. Dez horas diárias de sala de aula… ai ai ! De vez em quando, roubo uns minutos e venho aqui escrever isto ou aquilo. Neste fim de semana, algo bom vai acontecer neste blog. Prometo, para não perder os leitores cativos.
Alguém aí suporta o absurdo televisivo feito do caso Isabella Nardoni? O que é isto, gente?
Trilha sonora, interrupção de programação, câmeras ao vivo na casa de todo mundo que tenha qualquer ligação com o caso ou parentesco com os envolvidos, programação especial, violência infantil etc etc etc
Isto é jornalismo?
Isto é justiça?
Ninguém mais tem bom senso?
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A filha de um amigo meu com três anos estava de castigo. Ele estava ocupado corrigindo provas. A menina o chamou insistentemente. Ele se recusou a atendê-la porque estava de castigo. Ela chorou, então o pai foi ver o que havia. A menina estava com medo do pai jogá-la pela janela do apartamento.
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Minha irmã tem 15 anos. Sonhou ontem que a filha de uma amiga nossa tinha sido jogada do sexto andar.
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Minha avó tem 83 anos. Disse-me que está tensa de ver tanta tv. Aconselhei-a a desligar de vez o aparelho. Mas ela não pode. É sua maior companhia.
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Ninguém mais tem bom senso?
Dizer que o caso é de interesse público é uma coisa. Outra é fazer PAUTA ÚNICA MONOTEMA (se os jornalistas dizem, obedeço; mas que é monotema é.).
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Up date 2: Eu me cansei disso, sabia ? Que descubram os culpados e depois publiquem, não creio que o crime seja de TANTO interesse público, transbordou o bom senso para mim. Na minha vida não cabe investigação passo a passo do caso Nardoni nem de nenhum outro. A gente quer saber, mas a gente quer bebida, diversão e arte, a gente tem fome de comida e de outras coisas. Cansei desta ‘cobertura melequenta’ da mídia.
Há quem banalize tudo, até a própria existência. Há quem esqueça a mágica diária, quem se perca em pedaços de si, em retalhos dos outros, em migalhas soltas pelo vento das intempéries da própria vida.
Fazer um bolo requer amor, requer plenitude, requer doação ao outro. Requer você inteira. Sim, porque os bolos não se fazem nas indústrias ou megapadarias com suas batedeiras gigantes. Ali se faz farinha de trigo enriquecida com açúcar, assada com fermentos químicos, gorduras hidrogenadas e pirofosfato de sódio. Isso tudo pronto e embalado dá às pessoas apressadas que nem têm consciência do próprio existir, imersas que estão no frenético dia-a-dia , a falsa impressão de que se alimentam no café noturno ou no lanche da tarde. Elas comem, devoram sem sentir os pedaços açucarados da massa sem sentido. Embrulham-se. Embromam-se.
Não, a indústria não é capaz de fazer um bolo. Nem o supermercado. Fazer um bolo requer tempo. Um tempo que não será imperativamente tido com o desperdício de dinheiro. Requer um tempo investido. Um tempo para si, para o outro, para a família. Um tempo para os amigos.
Um bolo se faz com a carícia do sorriso ao pensar nos queridos a degustar consigo aquele pedaço de ternura oferecido ao outro. Um bolo se faz com o açúcar do AMOR, com a antevisão da gulosa faca ou espátula a partir o pedaço fofo de si que foi oferecido, partilhado, festejado ou, simplesmente, convivido.
Um bolo se faz com o frio na espinha do forno quente e a apreensão de que dê realmente certo. Sim, porque quando o oferecemos, queremos de nós dar o melhor. Porque amamos.
Um bolo se faz com preenchimento da alma e certezas de carinho. O “hummm” de satisfação interjeitiva que invade a nossa corrente sanguínea e suaviza os males do mundo. Ajuda-nos a viver.
Ontem eu fiz um bolo.

Você está pooota da vida, cansada, estropiada, com sono, chateada, aborrecida, magoada, triste… então dá uma aula tão legal que se sente bem, recebe carinhos tão importantes que fica mais leve e, mesmo tendo que respirar fundo, abrir os olhos e trabalhar quando deveria estar repondo a noite perdida, abre seu e-mail e vê uma coisa tão linda, mas tão linda que chora e pensa: sim, a vida vale a pena. Ainda vale.
Arranjar um tempo para fruir a existência, lembrar que eu estou grávida e simplesmente fazer nada de útil.
Barriga de grávida: codinome “CORRIMÃO”.
Todo mundo quer pegar, não tem jeito. É patrimônio público.
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Assisti a uns filmes nos últimos tempos (e revi alguns) : Jogos do poder, Arsene Lupin - O ladrão mais charmoso do mundo, Horton e o mundo dos Quem, Os contos proibidos do Marquês de Sade, Justiça, A fantástica fábrica de chocolates, Caramuru e mais uns aí de que nem me lembro.
Mas o melhor DVD de todos foi, sem dúvida, a gravação do ultra-som da minha neném.
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Que tecnologia boa é esta que nos faz sair de um consultório médico dez minutos após o exame com o ultra-som gravadíssimo em dvd para levar para casa e ficar nos deliciando de vez em quando olhando a barriga por dentro e acreditando mesmo que estou grávida e que há um ser humano dentro de mim?
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Nome do seu filho ou da sua filha: “caso de opinião pública”.
O IBOPE deve se meter também. Todo mundo (quase sem exceção) quer lhe dizer qual o melhor nome ou o mais bonito para o seu filho. Ou sua filha.
Então você fala que a gatinha já tem nome e fulano faz um muxoxo: “ah, eu queria Amanda”, fulana diz que “acha bonito Alícia ou Alessandra ou Aline ou Ana”, cicrana velhinha faz uma cara e solta essa: “eu queria muito que você me homenageasse e colocasse Irina porque só tive dois filhOS e não tive oportunidade de nomear uma menina ” (mas veja!), beltrana diz após você enunciar o que pretende ser o doce nome de sua filha, nome de que você gosta, que você acha lindo e que atende aos SEUS PRÓPRIOS requisitos de beleza, adequação e coisa e tal: “poxa , mas este não é o nome de uma parente sua (leia-se distante e sem vínculo) ? Este nome já existe! (eu estupefacta ouvindo isso… certamente a pessoa queria que eu INVENTASSE o nome de minha filha juntando pedaços de um e de outro… Dai-me paciência), outro desavisado me pede para homenagear minha mãe que já morreu e colocar o nome Eliana (nãnãninãnão, que eu acho minha mãe única e forte demais para ser lembrada diariamente em uma bebê inocente que ainda vai nascer e que não quer levar a carga nas costas de ser comparada à avó (infelizmente) falecida . Fora isso, a neném ainda vai carregar o fardo de que todo mundo vai olhar para ela e falar: Oh, pena que Ane morreu, ia adorar ver a neta. Não, isso não é a minha cara.).
Ufa! Pois é! A Odisséia é esta quando uma mulher engravida. Já ouvi as sugestões: Maria Bethânia, Cláudia, Luísa, Cecília, Danielle, Luani, Maria, Maria Eduarda…
Gente, quem acha o nome xyz lindo, parabéns, guarde-o para o seu próprio bebê. Não é lá meio lógico isso?
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Ah, esqueci que também tem gente querendo que a menininha se chame Alena ao contrário. Anela? Não, minha filha não merece. E não tem culpa do desvario alheio.
De vez em quando, 
eu fotografo . 
Nestes dias, me sinto 
feliz, porque faço o que amo e 
sinto o deleite inenarrável 
que é viver uma existência plena, 
livre das obrigações diárias. 
Sim, porque, quando fazemos o que amamos, 
a vida acontece melhor 
e parece que enche de alegria todo o nosso ser.
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Flores da Bahia (fotografias Alena Cairo em dezembro de 2007) .
Sim , o céu aqui tem este azul intenso…
Estou morrendo de saudades deste blog e louca para não cair no monotema e , além disso, arranjar um tempo assíduo para voltar a blogar. Saudades. Muitas saudades. Talvez agora engrene. Parece que as coisas se arrumaram por aqui.
Nenhum jeans cabe mais.
Nenhuma calça.
Nenhum vestido.
Nenhuma blusa.
Nenhuma peça íntima.
Nenhuma roupa de ginástica.
Nada, nada, nada.
Tudo que ainda será vestido um dia já habita as profundezas da mala no maleiro. Talvez no fim do ano. Talvez dezembro. Quiçá.
Porque eu sou gente e mereço, de vez em quando faço uma lata de brigadeiro em casa para adoçar a vida e ser feliz. Hoje, por exemplo.
A coisa anda difícil aqui… trabalho tanto que nem tenho tempo de alisar a barriga. Sorte que meus alunos e os ex-alunos que encontro pelo corredor têm sido tão delicados que o carinho
anda suavizando o caminho da jornada de doido em que eu estou.
Nesta semana, então, o corpo faliu. Toma. Quem manda. O corre-corre foi tão grande na semana passada que mal comi uma frutinha. E olha que é parte da minha rotina muitas frutas e quase todas as verduras e os legumes. É que eu gosto mesmo. Mas já resolvi o supermercado e abasteci de verdes, laranjas, vermelhos e açaís a casa.
Entrei numaparanóia tão grande que me esqueci de comer terça à tarde. Conseqüência imediata: no meio da prova, uma dor de cabeça tão absurda - que eu nunca havia sentido - que simplesmente tive o primeiro branco da minha vida e não pude responder bem ao que eu sabia ‘de cor e salteado’. Só na próxima para recuperar. Paciência. Quem manda, madame tudo-ao-mesmo-tempo-agora ?
Maria Bethânia declama Pessoa
Feliz Páscoa a todos.
Fernando Pessoa para a páscoa a nos fazer repensar …
Arrumar a vida.
* * *
Ganhei em sala seis bombons feitos em casa de leite condensado, biscoito e cobertura de chocolate… estou no quinto, compulsivamente, deliciosamente, depois de rasgar o equivalente a 100 litros de papéis que fizeram parte de minha vida. O lixão ficou cheio.
É que a menina vai chegar, eu vou me mudar em breve e o espaço para o novo TEM que surgir.
Vai ver que o doce foi para compensar a perda.
Eu confesso que não consigo aceitar a prática que anda se espalhando entre os jovens. No Natal e em outras épocas comerciais, como a páscoa, inventa-se o amigo secreto. Legal fazer amigo secreto, dar a oportunidade a alguém de me presentear e a mim mesma a oportunidade de presentear também. Escolher presentes é uma das coisas mais gostosas de se fazer. Pensar no outro, escolher para o outro, doar ao outro.
O caso é que aqui é costume inventar amigo secreto de presente determinado. Ou melhor, com presente encomendado. Nesta semana, por exemplo, estão acontecendo, em quase todas as salas de aula, amigos secretos de ovo de páscoa. Cada participante escolhe a marca, o tipo, o tamanho e se o chocolate deverá ser branco ou preto. Ora, quem quiser ganhar um ovo x, do tamanho y e das características z… que vá ao comércio e o compre!
Trocar dinheiro? “Só valem ovos entre R$15,00 e R$20,00″, “Todos têm que ser número 16″… me deixem.
A mesma coisa é um tal de amigo secreto de sandália havaiana. A pessoa escolhe o designe, a cor, o tipo e faz a encomenda a alguém que só vai chegar à loja e pagar. Eu não participo destas trocas. Eu não gosto delas.
Há quem participe, não receba o que PEDIU e saia ainda chateadíssimo porque gastou o seu dinheiro e não ganhou o que quis. Até assembléia para decidir o que fazer com o revoltoso que não comprou o que a lista indicava eu já vi acontecer. De novo: quem quiser suas coisas que as compre.
Dou presentes aos meus amigos, escolho com detalhes, penso na pessoa. Depois saio feliz por tê-los agradado e assim me sinto quando recebo gentilezas de quem gosta de mim. Trocar dinheiro só no câmbio, se eu for ao exterior.
Gente , quando morre, recebe um lugar na terra e vai embalada em um caixão às vezes simples, às vezes pomposo… a depender da situação econômica. Dizem que indigente nem caixão recebe, vai embalado no saco preto para o seu calvário que nem pós morte tem fim.
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Semana passada, quase eu breco o carro a 80 km num ato reflexo em plena avenida Paralela. Voltava da faculdade à noite e, ao passar pelo memorial Luís Eduardo Magalhães, tomei um susto daqueles…
É que em tempos de pai vivo, havia flores novas todos os dias a enfeitar uma estátua que o homenageava e, no local onde se diz que colocaram o tal do coração do homem, havia sempre dois policiais civis a tomar conta para que vândalos ou pombos ou sabe-se lá o que mais não pertubasse a paz da estátua que estava em pé eternamente em berço esplêndido.
Pai morto, outro rei posto. Ou reis. Já dizia Camões : “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. O fato é que os herdeiros andam aqui pela Bahia se digladiando pela dinheirama e a mídia está repleta de escândalos, rachas, achismos, conjecturas e… fatos.
Semana passada, o novo governador parece que atinou… qual era a estátua de Salvador que recebia vigilância 24h diárias? Nem Vinícius, sozinho lá em Itapuã nem Jorge Amado lá no meio da praça do Iguatemi nem o caboclo lá no alto do Campo Grande… tsc tsc tsc
E Wagner suspendeu o uso da polícia como mantenedora da paz da estatueta, devolvendo seus dois homens à paz estatal.
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As flores continuam. Eu não sei quem as paga. Deve ser ainda a fortuna do pai. A grande fortuna do pai. Que eu também não levanto hipótese para saber como se multiplicou tanto. Deve ter sido pelo seu trabalho.
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O caso do saco preto é que me intrigou. Era 22h40 de um dia de semana qualquer e eu voltava distraída da faculdade quando vi uma grande lona preta ou um conjunto de sacos pretos amarrados no monumento. Neste mesmo, no monumento ao filho do homem. A estátua estava toda embalada em um saco preto ou o que parecia sê-lo.
Não entendi, não compreendi, não vi notícia, não vi comentários e, somente 24 horas depois, já estava lá de novo a estátua reluzente , guardada por dois seguranças particulares, de roupas simples e mochila igualmente.
Só pude pensar que no tempo do pai isso jamais aconteceria. E que os tempos mudam (ainda bem). O enigma talvez não seja solucionado . Mas que me intrigou, ah, isso me intrigou. Fiquei estupefacta. Nunca havia visto estátua nenhuma embalada, ainda mais daquele jeito, em plena praça pública por assim dizer.
Up date: Segundo um transeunte, a estátua estaria em reforma e por isso foi embalada.
Porque sábado foi o Dia Internacional da Mulher também foi um dia de calarmo-nos. Também foi um dia de esperarmos. Também foi um dia de silêncios. Porque muitas vezes os silêncios são necessários.
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Sábado eu esperei. Esperei para ver. Parabéns tímidos de uns, chacotas de outros pela rua, homenagens sinceras de alguns.
Mas sábado eu me decepcionei também. Por que a propaganda brasileira continua mantendo a mulher branca, de cabelo liso e sorridente , com cara de rica como o padrão, o estereótipo da mulher que MERECE os parabéns pelo dia de TODAS as outras?
Por que as publicidades on line não se referiram também às negras, às mulatas, às nordestinas, às menos ricas ou às mais pobres, as que choram e não apenas sorriem com cara de bem sucedidas etc etc etc… ? A que público específico estas publicidades se dirigiam? Por que não vi mulheres chinesas, coreanas, africanas, sulamericanas, mexicanas… ou simplesmente a DIVERSIDADE de brasileiras, mas apenas - tão somente - o padrão europeu?
Por que eu recebi até um folder “parabéns pelo dia da Alena“? Não soou cretino, excludente, individualista, egocêntrico? Não, obrigada, até no dia do meu aniversário eu aceitaria os parabéns exclusivos de melhor grado. O dia era de todas. E não se deveria pretender - sequer aventar - a exclusão.
* * *
Isso me fez mais uma vez recordar o dia em que uma escola onde trabalhei distribuiu rosas às professoras. Considerei uma delicadeza enorme e me senti enternecida. Então fui ao toalete, encontrei a faxineira humilde e desejei-lhe “Feliz Dia Internacional da MULHER”, perguntando-lhe com sorriso largo se gostara da rosa. Timidamente, ela me respondeu: não , pró, a gente não ganhou flores, só as professoras. A gente é pobre, pró.
Fui imediatamente à direção perguntar o que houvera, se as rosas delas, de todas as outras MULHERES, ainda seriam distribuídas. Informaram-me que não. Só o público professora fôra agraciado. Aí a minha rosa murchou, morreu. Disse à pessoa ‘encarregada’ que era melhor nenhuma de nós as recebermos. Infelizmente. Algumas professoras souberam do episódio e continuaram a carregar as suas rosas orgulhosas. A minha e mais a de mais ou menos meia dúzia de outras colegas cientes foram enfeitar um vaso simples na casa de outras mulheres que ainda continuam esquecidas, silenciadas, humilhadas e desvalorizadas.
Eu sempre fui sensível. Tá. (tsc tsc) Tá.
Eu sempre me emocionei. Tá. E daí?
Também endureci. Virei cética. Guardei arroubos de lirismo, que minha alma é viva. Vocês sabem. Tá.
E daí?
Perdi meu pai. Triste demais.
Perdi minha mãe. Morri também. E viva.
Amei. Chorei. Sofri. Sorri. Sonhei. É . Ainda sonho. Ainda.
Mas eu estava tão cética, tão triste, tão só, tão vazia… ainda que você não percebesse, ainda que você não soubesse, ainda que você não notasse ou sequer quisesse reparar.
Mas que coisa é esta que está acontecendo comigo que me deu de novo uma dimensão diferente do real, que me fez eu me sentir transcendente, à parte, ‘encasulada’ em mim mesma, feliz, sensível e gigante?
Que coisa é esta que me plantou a dúvida de novo, que me tirou das incertezas em que eu boiava, que me redirecionou ao futuro? Que me fez sorrir sozinha e chorar de mansinho só de ler um texto bonitinho?
Que alegria é esta que me faz chorar, que medo é este que me faz comum? Que sonhos são estes que me fazem tão clichê, tão mãe-igual?
Que redescoberta de mim, do corpo, da voz, dos sonhos? Que consciência é esta do colo, do peito, do ventre ?
Que universo é este que habita em mim?
É você, meu filho, é você.
É você que me faz querer amanhecer.
O bebezinho disse a que veio neste fim de semana.
Depois da jornada insandecida que tive na semana passada com trezentas consultas médicas (de praxe), horas de espera nos consultórios (como gestante vai ter prioridade em obstetras?), provas a corrigir (jááááá!), cronogramas a ajustar, casamento de irmã mais nova em outra cidade, formatura de primo-melhor-amigo, jornada alucinada para fazer material para o ensino médio, busca de agulha no palheiro (leia-se um vestido chique para grávida nesta Salvador provinciana cheia de roupas horríveis, tudo demodê), necessidade de faltar aulas, agendamento de reposições …
… ai, ai, depois disso tudo, meu baby hiperativo igual à mãe chutou sem parar por três dias e eu simplesmente parecia que havia saído de um esmagamento por rolo compressor. Falhei de ontem para hoje: o corpo pifou.
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Ainda não sei se menino ou menina… a requisição de ultra-som está na minha mão… o tempo é que não está dando para ir fazer o exame. Pode?
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Sou bacante, dionisíaca seguidora. Amo o vinho e o prazer que proporciona. Mas nesta fase não etílica da minha vida, estou viciada mesmo em suco de uva. Só não venham me falar do de caixinha que eu acho o fim. Tomo um que vem lá do RS, numa garrafa de vidro, com toda pompa que um suco pode ter, rótulo, fabricante e tal … para compensar, minhas taças continuam indo à mesa.
… de parar tudo, o mundo inteiro, dar um start nas pessoas, congelar a cena, meio como aconteceu no conto dA Bela Adormecida. Então eu olharia minha vida de fora dela, tomaria pé deste turbilhão de trabalho, obrigações, contas a pagar, mudanças a fazer, finanças a arrumar e projetos a realizar. Talvez assim, com tudo arrumadinho, compartimentado como nenhuma vida deve ser, eu pudesse ter paz de espírito para respirar aliviada e sentir todo o prazer que a gravidez tem me proporcionado.
Quem foi mesmo que lutou pela emancipação feminina?
Eu não sei por que, eu não entendo ainda… avento hipóteses, talvez eu seja jovem ou tenha mente de jovem ou ainda não tenha juízo ou noção… sei lá.
Mas eu adoro quando sinto o tempo passar.
… ou limpando a vida sem dó… Ou convencendo a mim mesma.
Como jogar fora tanta coisa que acumulamos nas nossas últimas décadas de vida? Tudo parece estar aqui e aí por causa de uma importância que teve ou porque meus (seus) impulsos consumistas foram insanos vez ou outra.
Para jogar papéis fora, pense no benefício que fará ao pessoal da oficina de reciclagem doando tantos sacos de papéis. Quanto aos arquivos de trabalho do passado, ora, sua cabeça é boa e é capaz de produzir novas e melhores apostilas. Quanto às cartas de ex, papéis de viagem e etc., tudo faz parte do passado e você não é, afinal de contas, o Museu do Cairo.
Se quer mesmo uma vida nova, lembre-se de que novos papéis precisam ser assumidos e para isso os velhos devem sair de cena.
Ainda sobre papéis, pense que, se houvesse um incêndio, tudo iria se queimar mesmo…
Mais um argumento para jogar a papelada fora: seu bebê pode ter alergia a tanta poeira.
Para doar as miniaturas que para nada servem na sua casa, aqueles enfeites inúteis, pense que não vão combinar com sua casa nova e que o bebê poderá engolí-los. Rapidinho, vai tudo para o saco de doação. Sem falar que vai fazer a alegria de muita gente.
Quanto às roupas, há quanto tempo mesmo não usa aquela saia de cintura alta? E aquele sapato esquisito que você tem há quase uma década? Tsc tsc… E a blusa apertada que nem cabe mais em você? Guarde numa mala o que realmente pretender usar após a gravidez e uh-lá-lá… use apenas as roupas de grávida por enquanto. Aproveite que são soltinhas e não fazem calor. Seus mega-saltos podem também ir para a mala porque você não se equilibrará mesmo com a barrigona e o salto.
Serei legisladora e darei à mulher o direito de gestar em casa sem fazer absolutamente nada por dois anos. Durante os nove meses, ela terá um cartão corporativo para fazer comprinhas todas as tardes e organizar sua nova vida, à espera do seu bebê.
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Sorte de hoje no orkut (juro! ahahaha):
“Você vai ganhar roupas novas”.
Dei muita risada, as coisas estão apertadas por aqui. Já coloquei na mala TODAS as minhas roupas ‘normais’, todas as calças jeans, todos os casacos, todas as blusas e camisolas. Nada mais entra. A não ser a coleção de calças legging e as batinhas da moda que me salvaram das horríveis roupas que ainda vendem nas lojas para gestantes.
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O melhor da aula de Filosofia é que posso todos os dias responder: “só sei que nada sei”.
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Tive reunião com meus dois coordenadores. Avisei a ambos que, neste ano de 2008, estou altamente especializada. Só leio Literatura Especializada. Ficaram boquiabertos, querendo saber as revistas que ando comprando. Mostrei-lhes:

Meu senso de humor continua o mesmo.
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Pai preparador físico, mãe professora agitada, hiperativa.
Sim, o bebê se mexe muito, dá cambalhotas, não pára quieto (o ultra-som foi super engraçado) e… acredite, passeia nos espaços ainda vazios da minha barriga. Nem sempre fica quietinho no ventre. Às vezes, está todo do lado esquerdo. Outras, fica completamente à direita. Estou achando que, se for menino, pode ser lateral no futebol (kkkk).
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Uma das melhores coisas de estar grávida é receber o carinho sincero de um montão de gente que gosta de você. Isso não tem preço.
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Se eu soubesse que era tão bom estar grávida, acho que teria uns cinco filhos já.
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Enjôo? nadica. Alguém já viu quem gosta de comer enjoar?
Desejos? Nenhum. A vida toda eu os tive. Agora, passaram.
Ah, tenho comido pouco doce. Porque eles não têm me apetecido.
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Eu não tenho a mínima idéia de como vou conseguir me livrar de toda a papelada que eu tenho.
Um dos maiores sustos que você toma quando se descobre grávida é a percepção de quanta tralha carregou na vida e a tarefa hercúlea que será se livrar dela agora. Sim , porque os espaços para o novo precisam ser abertos.
Ela tem cinco anos. É uma gracinha. Pela desenvoltura, pensamos muitas vezes que estamos com uma minigente, daquelas mocinhas descoladas e irreverentes. Mas ela só tem cinco anos. É uma criança ainda.
Para quem não conhece ultra-som obstétrico, desvendo-o: a médica fotografa o feto no útero, coloca cinco imagens do bebê numa página tamanho a4 e mais uma imagem da tela do pc, na qual aparecem os dados da gestação: centímetros do embrião, semanas desde a fecundação e nome da gestante. As fotos a que aludi mais a dos dados na tela do pc ficaram dispostas em duas colunas, de forma que, ao lado da freqüência cardíaca do bebê, aparece a tal tela.
Pois bem, vamos à história então.
A referida garotinha é filha do meu namorado. É um trocinho. Inteligente, gordinha e super feminina. Depois de passar um dia delicioso na praia com ela e a irmã de 12 anos (uma princesa tímida), brincando, comendo as delícias da Bahia, lá para as quatro da tarde, já com o sol fraquinho (creiam!), ficamos rolando na água, curtindo as ondas no raso. Pintamos e bordamos. Mergulhamos, abraçamo-nos, divertindo-nos até não poder mais! Saímos do mar de mãos dadas, rindo à toa.
Então… neste dia tão gostoso, o pai considerou que era a melhor hora… e, ao voltarmos à casa, enquanto eu subia para tomar banho, ele contou às meninas que eu ‘estava de neném’.
Foi surpresa para mim que contasse naquela hora. Quando desci, elas quiseram saber se era verdade e então … subi correndo com elas para mostrar-lhes o exame, explicar que as imagens eram do irmãozinho ou irmãzinha que viria. Aí foi tudo uma delícia. Pensei até delas ficarem com ciúmes dele, mas surpreendi-me com a ciumeira de mim: foi um grude, elas queriam garantir que eu não deixaria de brincar com elas. Neste dia, dei banho, penteei cabelos e contei história na cama.
Ela só tem cinco anos. Foi assim que começou esta história. Lembram?
E a pequenininha, entretida com a grande novidade e com as imagens do ultra-som, exclamava sem parar, debruçada sobre o exame:
- Ô… que bunitinho… olha a cabecinha do meu irmãozinho ou irmãzinha, olha o bracinho… ô… aqui é a perninha… aqui é a mãozinha… ô … que lindinho, olha a perninha… olha o bracinho… olha a cabecinha…
Eu já estava enternecida com o jeitinho dela, quando ela, apontando para a imagem da tela do pc que estava no ultra-som, disparou:
- … olha a barriguinha… ô, olha o bracinho… ô… a cabecinha… e aqui é ele brincando na internet.
Gente, caí na gargalhada, dei um abraço forte nela e … foi assim que meu filho ou minha filha, descendente que se preza, bebê do terceiro milênio, herdeiro de mãe blogueira, que ainda nem nasceu, já caiu na rede: meu útero wireless é formidável!
Se eu quebrasse todas as barreiras do possível, neste exato momento, gostaria de estar em Cancún, com os pés descalços, numa cadeira branca, sentada dentro da água do mar do Caribe.
Incrivelmente, eu brincaria com o dedilhar dos dedos dos pés, vendo a água transcorrer cristalina… e pensaria feliz no quanto é bom sorver a vida assim, despreocupada e feliz, enquanto quase todo o resto da humanidade vive sem pensar neste exato instante.
Já não sou o que sempre fui.
Há mais de mim agora.
Em transição, vejo meu corpo mudar.
As luas passarão e nem sei o que serei.
Mas seremos nós. Serenos.
Ano passado, acordei num domingo cedo (com aquela impressão de que perderia a hora) e, após tomado o rápido desjejum, dirigi pela avenida Paralela em direção a um novo tempo. Decidi fazer vestibular.
Após a graduação e a pós, com 32 anos, retornar ao banco dos calouros é, no mínimo, curioso.
Vi um garoto dirigir às 7h30 da manhã de domingo com os pés em cima do banco e um braço para fora do carro. Eu o conhecia. Tinha 17 anos. O pai ou a mãe lhe dera o carro para ele ir fazer vestibular também. Não acreditei, mas sabia que era esse o mundo do qual faço parte também - ainda que não comungue com este pai, esta mãe ou este garoto.
Fiz a prova em poucos minutos, menos de uma hora, e fui bem - que diferença do tempo em que tinha 17 e concluíra o 2 grau, gastando ao menos 3h30 das 4h propostas pelo exame.
Passei e senti uma alegria grande de receber o resultado. É sério. Comemorei e tudo.
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Nesta semana, já se completa a primeira de aula: três dias antes do carnaval e mais dois agora. Ainda não achei o meu lado da sala, a minha turma, a minha cara. Nem sei se acharei. Talvez sim, talvez não.
Gostei de estar do lado de cá de novo, de ser estudante, sentir a pressão de ter que aprender, mesmo sabendo que não tenho que aprender, mas que gosto de aprender.
‘Para variar’, a aula mais delícia de todas foi a de Filosofia. E eu me lembrei muito de uma amiga, muito melhor que eu: ela, depois de fazer Direito e Letras, concluiu que estudaria Filosofia ou Arte.
* * *
Muitas novidades virão. Por enquanto, eu tenho colegas que estudam a disciplina “Introdução E Economia” conforme registraram em seus cadernos. Mas eu estou matriculada na Introdução à Economia.
Ah, o curso? Direito.
Faz mais de 10 anos que entrei como caloura na sala de uma faculdade. Lembro que faltei ao primeiro dia depois de muito convencer minha mãe de que poderia pegar algum trote e de que aquilo poderia ser perigoso.
Na verdade, me deliciei com a sensação de liberdade que me invadiu ao descobrir que, agora, sim, aos 17-quase-18, eu estava livre da tutela exacerbada dela na escola. Meu Deus!
Cada um na sala, dono de seu nariz, assistindo às aulas que bem quisesse. Isso seria o paraíso.
Não haveria SOE, Coordenação e Direção atrás de mim. E nem diretoras amigas de minha mãe ou freiras que não tinham o que fazer para ligar para ela caso eu fizesse alguma besteira. Estava livre para fazer a bobagem que quisesse.
Foi assim que fui a muitas festas, calouradas, cheguei atrasada a algumas aulas e faltei outras que não julguei importantes. Eu viajava e voltava só quando queria. Delícia pura de ser jovem.
Logo no segundo semestre, a ficha caiu: ou eu bem estudava e virava uma profissional que prestasse ou bem eu ficava na vagabundagem doce dos que não querem nada. A ‘responsa’ e a educação falaram mais alto. Terminei então sendo uma aluna responsável embora soubesse bem administrar minhas necessidades pessoais de faltar às aulas para namorar ou ir à praia de vez em quando.
Outra coisa que descobri logo no segundo semestre também: tudo que eu tinha deixado para estudar depois fazia falta e não seria jamais estudado. Então aprendi a estudar antes do professor cobrar. Porque eu detesto pressões. E acho estudar algo tão maravilhoso que jamais ninguém poderia me convencer de que era uma saco.
Você nem tem filhos, mas afinal são férias e leva duas adolescentes e duas crianças ao cinema. Na bilheteria, segurando a mão da pequenininha de 5 anos, pede à moça:
- Boa tarde, por favor, quero cinco meias…
Ao que a pequenina, com a carinha surpresa, retruca:
- Meias? Para quê? É por causa do frio, Alena? (sorriu…) Nunca vi ninguém comprar meias para ir ao cinema…
Estou de volta! Ufa! Não aguentava mais estar desconectada do mundo.
Pc novo, nem sombra mais de uol discado (aquilo nem deveria existir, sinceramente!), velox funcionando perfeitamente.
Casa a arrumar, empregada a postos.
Mil e duzentas e noventa e duas novidades.
Não estava nos meus planos ficar tanto tempo sem net. Eu sinceramente não imaginava que houvesse a possibilidade de estar sem pc. Fora todos os problemas de placa mãe e dos filhos dela que a resolveram trocar… ainda enfrentei o malfadado fardo de internet discada. Nem e-mail a porcaria baixa no outlook, creiam.
Desde o dia 17, muitas águas rolaram, vocês nem imaginam.
O fato é que eu estou muito feliz, apesar de tantas intempéries.
Falta pouco para eu ficar on line de novo. É que resolvi aproveitar a casa de praia e nem imaginei que teria que abdicar da conexão com o mundo. Desde dezembro, após o Natal, estou realizando um trabalho extra que exigiu de mim 11 horas diárias. O resto do dia? Cama, praticamente. Acordar às 6h30 (em plenas férias do trabalho) e dirigir quase uma hora para passar mais 9h sentada a ler e revisar… hum… não é fácil, não. Ao final do dia, só sono.
Quero dizer às meninas que me mandaram o presente do amigo secreto da Denise que eu amei, simplesmente!!!
Não posso ainda postar fotos, mas elas virão. Breve.
Neste meio tempo, dia 30, minha avó faleceu. Escreverei a história depois. Saudades, mas é a vida. Ou a morte…
Ainda neste meio tempo, o love está cada vez mais love. As crianças estão ótimas, divertidíssimas. Minha família anda toda por aqui na praia e a gente tem feito uns ótimos encontros. Daqueles que rendem bons posts.
Ano passado, eu fiz vestibular de novo. Então, agora, preparem-se: sou caloura.
Mas diz o ditado que ‘Deus não dá asas à cobra‘, portanto… mais novidades em breve!
Um beijo a todos e um ano novo muito, muito, muito bom!!!
Meu pc continua uma droga. Só golpe no país ‘em desenvolvimento’ : o Uol cobra dois reais por hora de acesso à internet discada. Em apenas 48h , vc já deve 96 reais para acessar uma droga de site que não resolve o seu problema com a m… da placa-mãe. Seus arquivos baixam na maravilhosa velocidade de menos de 56 kb s.
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Tudo está melhor, afinal, sábado fui finalmente à praia e domingo choveu, mas eu comi lambreta e caranguejo na Cely. Depois, à noite, tomei banho de chuva e de piscina. Love, love.
Você viaja com a grande família (dele), leva suas trezentas e oitenta e nove coisas indispensáveis (do desktop ao abridor de coco) para passar um mês ou dois na casa de praia e na primeira semana já está pensando no que foi que decidiu fazer… no porquê de ter carregado este pc… no porquê de ter parado com sua dieta… no porquê de ter resolvido trocar a filha da p… da placa-mãe do seu computador … no porquê de não estar de férias num spa.
Seu trabalho a convidou a comparecer trezentas vezes na semana, o pc deu mais trezentos problemas, na casa a que você foi nem sombra de velox, a internet discada é pré-histórica, seu dinheiro foi para as cucuias, tem mais trezentas contas para pagar, engordou um quilo, não foi um dia sequer à praia, estressou-se todos os dias, foi a Salvador todos os dias também, foi a cinema que não queria, comeu porcarias (leia-se guloseimas), não trabalhou, não leu nenhum livro, nenhuma revista… e você ainda ouviu o que não queria.
Ahahaha… a partir de amanhã eu resenho algumas coisitas!
A melhor enquete que vi neste fim de ano. Qual celebridade você não agüenta mais e de qual delas não quer ouvir falar em 2008?
A-d-o-r-e-i.
O equívoco já começa ao considerar a tal ‘carangueja estafanagente’ como celebridade (até desenho em versão infantil a fulana lançou). Se o Bebebe é padrão de imitação popular, valha-me que eu vou embora para Marte. Nesta seqüência, o tal ‘alimão’ é o que há de pior. Me deixem. De Paris, Britney, Tom, Angelina, Piovani(???) e cia… arght! ô timinho que arranjaram. Mas, para mim, honestamente, a tal Siri é a pior. Do sorrisão do Tom Cruise eu ainda não me cansei, embora do ativismo dele sim.
E vocês? Cansaram também?
Tá. A sua edição é mais antiga. Mas é bom descobrir que ontem você não deu o livro de Comédias de Martins Pena que parece andar na moda agora com a reedição em caixa decorativa e ‘módico’ preço de R$119,00 (quase 1/3 do salário mínimo).


A Maria Helena do Caminho Suave me presenteou com o trevo da sorte. Obrigada pela delicadeza!!!
Repasso o trevo para Solange, Nalu, Lord, Meg, Meg do Na mesa de um bar e Anna V.
Embora eles não estejam mais vivos, ainda conto com a tecnologia para brincar de pareço-com-quem?
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Descobri isso aqui lá no blog da Nalu.
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Meu livro
Quando você constata que é mais fácil jogar fora antigas cartas de amor que doar seus livros… tem que tomar uma séria providência: ou muda de casa e faz uma biblioteca gigante ou … ?
Não consigo pensar na opção.
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Separei alguns livros para doar (e eu faço isso sempre), mas todos os anos minha estante vai ficando mais gorda.
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Há sete anos, decidi que cinco estantes virariam três. E era uma vez mais de trezentos livros que doei para uma universidade particular de Salvador. Neste ano, fui à Universidade Federal com a mala de um corsa sedan(leia-se enoooorme mala) abarrotada de livros do curso de Letras. A funcionária me mandou listar todos e fazer a catalogação senão ela não aceitaria a doação porque daria muito trabalho a ela. (?!?!?!?) Percebeu o que eu fiz, né?
Na época, não tinha blog e os jornais de Salvador eram (continuam) fraquíssimos. Rumei para a particular e fui recebida com cadeira, cafezinho, diversos homens para carregar as obras que foram devidamente acondicionadas na biblioteca. Recebi uma carta de agradecimento e muitas mesuras. Certamente, muitos estudantes de Letras puderam folheá-los.
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Não gosto de vender os livros em sebos. Sempre pagam muito menos do que valem. Mesmo que seja uma cópia velha de alguma adaptação de Cervantes para a 5a série, não consigo imaginar que me pagarão R$10,00 ou R$1,00 por ele. É uma afronta. Como se dissesse: isso não vale nada. Para mim, Literatura não tem preço. Então, prefiro doar. De graça combina mais com a questão da arte: a arte que não tem preço e é atemporal. A arte da palavra.
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Todos os anos, desde então, costumo recolher muitos livros [de editoras, mais os que ganho para analisar (e não gosto) junto aos que já vão perdendo lugar no meu dia-a-dia (tipo os juvenis que são adotados nas escolas no ensino fundamental) ] e fazer as doações de caixas e mais caixas para bibliotecas de localidades carentes.
Sei lá: é aquela vontade de que mais crianças e adolescentes se sintam apegados como eu.
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Há cinco anos, decidi que três estantes virariam duas. E fiquei com duas e meia por todo este tempo. Agora quero uma e meia. Mas não consigo emagrecer de jeito nenhum as benditas.
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Não há como a gente se desapegar do amor ao livro. É por isso que, mesmo lendo muitos e-books e guardando arquivos gigantes em meu pc, eu não acredito no fim do livro impresso. Não para a minha geração.
Detalhe: toda vez que eu emagreço a estante é para convidar as novas obras a entrarem em minha vida.
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Detalhe 2: tanta reclamação e eu aqui já fazendo a listinha de Natal dos livros que quero ganhar e daqueles que vou comprar sem falta. ![]()
Sabe quando o novo precisa acontecer? Pois é. Terei uma estante de livros com espaços vazios a partir de hoje. Muitas doações.
Existem umas coisas boas destinadas a acontecer conosco a que, muitas vezes, nós não damos atenção e deixamos passar ao largo. Mas é incrível esta força que elas parecem ter: dão a volta no quarteirão e nos surpreendem de frente.
Pois é.
Foi assim nesta semana.