Universo feminino?

No meu aniversário, ganhei alguns livros muito legais dos amigos. Um deles foi o da blogueira Tati Bernardi :

Li no sábado após a festa, rapidinho. Fiquei com um mau humor incrível e cheia de vontade de descascar o meu namorado. Adorei algumas crônicas, outras nem tanto. Gostei de rever o estilo franco que a vida de mesuras romanescas imprescindíveis à sobrevivência de qualquer relação ‘normal’ me fez atirar nas entrelinhas de mim mesma e afogar no riso pecaminoso dos encontros com as amigas.

O outro livro foi a menina que roubava livros de Marcos Zusak (Sidney, Austrália). Achei o título genial e não passei incólume por ele. Gastei meus 39,90 reais e vim para casa feliz, carregando o livro, Liesel Meminger e a sua história com a morte. Três dias depois, uma facada: a Saraiva me mandou um e-mail anunciando a fantástica compra da obra por R$22,90 (quase tive um infarto). Mas vamos lá: não se ganha sempre.

A passagem mais tocante para mim de a menina  que roubava livros foi a  seguinte:

“Uma pequena definição não encontrada no dicionário

Não ir embora: ato de confiança e amor, comumente decifrado pelas crianças.” (p. 37)

A estratégia narrativa é maravilhosa e o título genial. A morte é a narradora. Parabenizo o autor pela idéia, mas… não sei se foi questão de tradução ou de adaptação para a nossa língua ou se a história deixou mesmo a  desejar. Não mudei nada após ler o livro, senti que foi entretenimento apenas. E olhe que eu reservei para ele uma tarde fria de sábado ( a capa é a morte andando na neve) na qual eu devorei 405 de suas 495 páginas.

A narrativa na voz da morte é piegas em diversos trechos da história doce de uma menina pobre adotada por uma família um pouco menos miserável que a sua mãe – que desaparece. Liesel viveu na Alemanha da Segunda Grande Guerra e viu os horrores do nazismo do alto de seus olhos inocentes e feridos pela perseguição aos judeus, pela ida de seus novos parentes à guerra e pela morte (claro) de muitos dos seus conviventes. O romance, apesar de tudo, não convence. O ponto de vista narrativo da morte enfraquece e torna um fio tênue a ligação do leitor com a personagem. Não conseguiu atingir a força das emoções de Liesel, há um distanciamento que nos faz sentir apenas meros espectadores de um filme que se passa lááááááá na tela da tv, com todo o metro entre o aparelho e o sofá atestando que não foi conosco, aquela sensação de ah, tá, e daí?

É uma pena. A idéia foi instigadora.

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5 comentários sobre “Universo feminino?

  1. Alena,
    Eu adoro o clima das livrarias, mas tem uns 4 anos que não compro mais nelas. Só pela internet, porque as diferenças são exorbitantes. Fiquei interessada por este livro, mas achei meio apelativo, depois de de sua análise, nem questiono mais, não compro e pronto.
    Beijos.
    Gabi

  2. Oi Alena!!! Interessante o teu post.
    Utimamente tenho lido poucos livros, gosto de assutunos que colocam
    a minha “caxola” a pensar, a reflectir, a trazer algo de novo e de
    bom para mim, por isso, tenho escolhido temas mais específicos, de vez
    em quando gosto de ler algo místico e bem diferente, e um dia escolhi uma
    obra de uma autora portuguesa (estou a viver em Portugal)que deixou-me surpreendida,
    gostei tanto que já estou a procura da segunda obra. É mesmo frustrante qdo não
    gostamos de um livro né?!!! Eu ainda estou tendo alguma sorte 🙂

    Beijos e bom fim de semana

  3. Bom saber, Alena, que eu vou ler a menina que roubava livros em ebook então. Acho que já está digitalizado. Vou olhar lá no grupo. Ou melhora acho que nem vou ler agora, que minha pilha de livros só cresce…Beijos.

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