Penso, logo me angustio!

Penso… logo… me angustio !

E não é senão a condição de livre pensar que me castiga e aprisiona tantas vezes? Desperta ou em sonhos, açoita-me a consciência.

Liberdade, liberdade…
A vida tão fugaz, os instantes tão efêmeros e esta utopia que me persegue e atormenta…
Livre. Livre para quê? Diáfana meta: encarcero-me ensimesmada. De que preciso estar alforriada? Escrava de mim mesma, de padrões e preconceitos, de todos os não-podes maternais, confundo-me, atormento-me, condeno-me. Grilhões do pecado: a alma torturada pela sandice de existir.
Se se pode existir, por que não ser simples e difusa em sensações?
O ineditismo das circunstâncias desafiaram as concepções mais íntimas. Covardemente fujo. Do que houve, do espelho e do encontro. Fujo dos olhos que me castigam a cada esquina ainda que revelada não esteja a transgressão tão íntima.
Saltar os muros sociais, cavalgar de encontro à consciência e ser toda fruição… Loucura? Estupidez? Inconseqüência? Leviandade? Vazio? Os açoites ecoam na minha imatura experiência de existir. 
Que palavra dizer ? Que palavra dizer-lhe?
Só meus olhos fundos podem silenciar neste momento d’alma difusa em desculpas evasivas…
Não sei. Não sei.

Por ocasião de maio de 2005

Alena Cairo

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